Holding Familiar 2026: Por Que Estruturar Antes da Vigência Plena do ITCMD Progressivo é a Decisão Patrimonial Mais Urgente do Ano em SP
Felipe Dutra Nicácio
· 28 min
A LC 227/2026 já está em vigor. SP terá ITCMD progressivo até 8% a partir de 2027. Entenda por que famílias empresárias têm 8 meses para agir.

DOSSIÊ TÉCNICO PATRIMONIAL 2026
Foco Regional: Osasco, São Paulo, Barueri, Cotia, Guarulhos
Tempo de leitura: 14 min.
Resposta Direta
A LC 227/2026 entrou em vigor em 14 de janeiro de 2026 e tornou obrigatória a progressividade do ITCMD em todos os estados. Em São Paulo, o PL 7/2024 propõe alíquotas de 2% a 8%. Quando aprovado, valerá a partir de 1º de janeiro de 2027. Famílias empresárias têm uma janela real de aproximadamente 8 meses — entre maio e dezembro de 2026 — para fazer doações sob a regra antiga (4% fixo) e revisar a estrutura familiar antes da virada.
Premissas: Análise voltada a empresários da Grande São Paulo com patrimônio de R$ 2 a R$ 50 milhões. Quadro válido para o PL 7/2024 conforme texto vigente nesta data. Não substitui consultoria contábil ou jurídica formal sobre o caso concreto.
Neste dossiê você vai encontrar:
- A janela 2026: o que muda no ITCMD a partir da LC 227/2026
- Quanto custa adiar: 3 simulações reais por faixa de patrimônio
- Reforma Tributária 2026-2033: o segundo motor da urgência
- Os 5 perfis que mais se beneficiam de estruturar agora
- Para quem NÃO faz sentido estruturar agora
- Próximo passo: o Diagnóstico Intergeracional Stella
Em 14 de janeiro de 2026, a Lei Complementar 227/2026 foi publicada no Diário Oficial da União. Para a maioria dos empresários brasileiros, o nome passou despercebido. Para quem construiu patrimônio ao longo de décadas e pensa em sucessão, deveria ter o peso de uma virada de página — porque foi exatamente isso que aconteceu.
Nos meus atendimentos com empresários da Grande São Paulo, costumo apresentar o cenário sem rodeios: o ITCMD em São Paulo, que há 26 anos é cobrado a 4% fixo, terá de migrar para uma tabela progressiva de 2% a 8%. O PL 7/2024 já está em tramitação na ALESP. Quando aprovado, valerá a partir de 1º de janeiro de 2027 pela regra constitucional de anterioridade. Isso significa que famílias empresárias têm aproximadamente oito meses — entre maio e dezembro de 2026 — para decidir se querem fazer doações sob a regra atual ou aguardar.
É uma janela definida, com data de fechamento conhecida, e que afeta de forma muito diferente cada faixa de patrimônio. Este artigo explica por quê, mostra três simulações reais com cálculo faixa por faixa e — talvez o mais importante — separa os perfis em que a urgência é real dos perfis em que estruturar agora seria erro. Vou direto ao ponto: nem toda família empresária precisa estruturar holding em 2026, mas quase toda precisa pelo menos fazer uma análise consciente desta janela.
A janela 2026: o que muda no ITCMD a partir da LC 227/2026
Linha do tempo regulatória
A reforma do ITCMD não veio de uma só lei. Na prática, é um movimento construído em três momentos:
- 2023 — A Emenda Constitucional 132, no contexto da Reforma Tributária do Consumo, alterou o artigo 155 da Constituição. O texto passou a determinar que o ITCMD "será" progressivo, em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação. A palavra "será" não deixa margem para escolha.
- 13/01/2026 — A Lei Complementar 227/2026 é sancionada pelo Presidente da República.
- 14/01/2026 — A LC 227/2026 é publicada no Diário Oficial e entra em vigor como norma geral nacional.
O ponto aqui é simples: a LC 227/2026 não cria, sozinha, o imposto novo em São Paulo. Para que o ITCMD progressivo seja efetivamente cobrado, é necessária uma lei estadual de adequação. Esse projeto já existe — é o PL 7/2024, em tramitação na ALESP. Quando aprovado, ele estará sujeito à anterioridade anual: uma lei publicada em 2026 só produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.
É justamente essa lacuna entre vigência da norma federal e efeitos da norma estadual que cria a janela de oportunidade. Há quem leia essa lacuna como uma "brecha técnica". Não é. É anterioridade tributária — uma garantia constitucional dos contribuintes que protege o cidadão de ser surpreendido por aumento súbito de tributo. Tributaristas como os da Schneider Pugliese Advogados defendem, inclusive, a tese de que cobranças do ITCMD em SP com alíquota fixa após 14/01/2026 podem ser questionadas judicialmente, com base no §4º do art. 24 da Constituição. É um cenário juridicamente vivo, e que reforça a importância de planejar com cuidado.
As 4 faixas progressivas propostas pelo PL 7/2024
O projeto em tramitação na ALESP propõe a seguinte estrutura:
| Faixa de transmissão (em SP) | Alíquota proposta |
|---|---|
| Até R$ 352.600,00 | 2% |
| De R$ 352.600,01 a R$ 3.005.600,00 | 4% |
| De R$ 3.005.600,01 a R$ 9.900.800,00 | 6% |
| Acima de R$ 9.900.800,01 | 8% |
Há um ponto que costuma ser mal compreendido: a alíquota de 8% não se aplica ao patrimônio inteiro a partir de R$ 9,9 milhões. Ela incide apenas sobre o valor que excede essa faixa. Como observou a Migalhas em fevereiro de 2026, a LC 227/2026 "altera não apenas a forma de tributação, mas sobretudo o montante efetivamente tributado" — ou seja, o efeito não vem só da alíquota, mas também da nova base de cálculo. Isso muda o cálculo prático de forma significativa, como veremos adiante.
A nova base de cálculo: a virada que afeta diretamente as holdings
Há uma segunda mudança da LC 227/2026 que é tão importante quanto as alíquotas. O artigo 154, II, alterou a forma de avaliação de cotas e ações de empresas não negociadas em bolsa. Antes, era comum usar o valor histórico ou contábil das cotas. A partir de agora, a base de cálculo deve corresponder, no mínimo, ao Patrimônio Líquido Ajustado a valor de mercado, acrescido do fundo de comércio (goodwill).
Conforme análise da Schneider Pugliese Advogados, essa nova metodologia "elimina a principal vantagem fiscal da utilização de holdings para fins de planejamento sucessório". Não significa que holding ficou inútil — significa que o motor central de valor da holding passou a ser outro, como veremos adiante. Significa também que, para quem vinha planejando estruturar uma holding pensando na economia tributária pura, o cenário mudou e exige reavaliação.
Para a família empresária da Grande São Paulo, a leitura prática é direta: cotas de empresas que foram integralizadas no passado a valor contábil podem, na transmissão sob a nova regra, ser tributadas a valor de mercado. Em alguns casos isso significa multiplicar a base por três, quatro, cinco vezes. Por isso a janela 2026 é especialmente relevante para quem já tem holding constituída há anos com cotas integralizadas a valor histórico — e mais ainda para quem planejava integralizar imóveis pessoais em 2026 ou 2027.
Quanto custa adiar: 3 simulações reais por faixa de patrimônio
Os números a seguir partem de um pressuposto simples: comparar o ITCMD atual em São Paulo (4% fixo) com o cenário do PL 7/2024 aplicando a progressividade por faixa. Foram calculados manualmente, faixa por faixa, para mostrar o que muda na prática. Use-os como referência de magnitude — não como projeção do seu caso específico, que depende da composição do patrimônio.
"Em 35 anos atendendo famílias empresárias da Grande São Paulo, vejo o mesmo padrão: quem trata holding como ato jurídico tem documento; quem trata como instituição familiar tem patrimônio que atravessa gerações. Foi a lição que minha mãe Ângela me passou — e que reaprendi como cliente, na nossa própria sucessão."
— Felipe Dutra Nicácio, CEO Contabilidade Stella
Patrimônio de R$ 3 milhões — a surpresa que ninguém comenta
Considere uma família com patrimônio total de R$ 3 milhões — um imóvel próprio na Grande São Paulo, algumas aplicações financeiras, talvez uma participação em empresa de pequeno porte.
Cenário 2026 (regra atual): R$ 3.000.000 × 4% = R$ 120.000 de ITCMD.
Cenário 2027+ (progressivo):
- Faixa 1 (até R$ 352.600): R$ 352.600 × 2% = R$ 7.052
- Faixa 2 (até R$ 3.000.000): R$ 2.647.400 × 4% = R$ 105.896
- Total ITCMD = R$ 112.948 (alíquota efetiva ≈ 3,77%)
Patrimônios até cerca de R$ 3 milhões podem, com a progressividade, pagar um pouco menos do que pagam hoje. É contraintuitivo, e por isso muitos artigos populares no momento estão equivocados ao afirmar que "o ITCMD vai dobrar para todos". Não é o caso para esta faixa. A urgência aqui não é tributária — é organizacional, e voltarei a esse ponto quando falar dos cinco perfis.
Patrimônio de R$ 10 milhões — onde o aumento começa a doer
Considere agora uma família empresarial mais consolidada — empresa em operação há 15 ou 20 anos, dois ou três imóveis, aplicações relevantes. Patrimônio total estimado em R$ 10 milhões.
Cenário 2026: R$ 10.000.000 × 4% = R$ 400.000.
Cenário 2027+:
- Faixa 1 (até R$ 352.600): R$ 352.600 × 2% = R$ 7.052
- Faixa 2 (até R$ 3.005.600): R$ 2.653.000 × 4% = R$ 106.120
- Faixa 3 (até R$ 9.900.800): R$ 6.895.200 × 6% = R$ 413.712
- Faixa 4 (acima R$ 9.900.800): R$ 99.200 × 8% = R$ 7.936
- Total ITCMD ≈ R$ 534.820 (alíquota efetiva ≈ 5,35%)
Diferença: aproximadamente R$ 134.820 a mais, ou um aumento de cerca de 33,7%. Aqui a conversa muda. Para uma família com patrimônio nessa ordem, são mais R$ 134 mil que sairão do bolso dos herdeiros — recursos que poderiam ter sido preservados com planejamento feito a tempo. Para colocar em perspectiva: R$ 134 mil é, em média, o custo total de constituição e dois anos de manutenção de uma holding bem estruturada. A janela 2026 se "paga" sozinha nessa faixa.
Patrimônio de R$ 30 milhões — o efeito combinado da progressividade e da nova base
Cenário 2026: R$ 30.000.000 × 4% = R$ 1.200.000.
Cenário 2027+:
- Faixas 1 a 3 (até R$ 9.900.800): R$ 526.884 acumulados
- Faixa 4 (acima R$ 9.900.800): R$ 20.099.200 × 8% = R$ 1.607.936
- Total ITCMD ≈ R$ 2.134.820 (alíquota efetiva ≈ 7,12%)
Aumento de aproximadamente R$ 934.820, ou cerca de 78%. Mas há um detalhe que torna o impacto ainda maior para quem planejava usar holding: se esses R$ 30 milhões forem cotas de uma holding cuja base contábil até hoje seria de R$ 10 milhões — mas cujo valor de mercado mais o goodwill fica em R$ 30 milhões —, o cenário antes da reforma seria de ITCMD de R$ 400 mil (sobre os R$ 10 mi contábeis). Com a nova base de cálculo, passa para R$ 2,1 milhões. Não é um aumento de 78%; é um aumento de cerca de cinco vezes. É a soma de dois efeitos: progressividade nas alíquotas e nova metodologia de avaliação das cotas.
"Em 35 anos atendendo famílias empresárias na Grande São Paulo, vi centenas atravessarem a transição de uma geração para outra. E vivi a minha própria — quando minha mãe, Ângela Stella, fundadora desta casa em 1988, me passou a gestão. Por isso costumo dizer com a serenidade de quem entende: estruturar uma sucessão patrimonial não é evento, é processo. E há cenários em que o processo precisa começar antes da estrutura."
HOLDING FAMILIAR
Tem dúvidas técnicas sobre o seu caso?
Felipe responde direto, sem rodeios, em até 1 dia útil.
Reforma Tributária 2026-2033: o segundo motor da urgência
O ITCMD progressivo não está sozinho. Em paralelo, o Brasil aprovou uma reforma profunda da tributação sobre a renda. O PL 1087/2025 — também conhecido como "isenção até R$ 5 mil + tributação de altas rendas" — foi aprovado por unanimidade na Câmara em 1º de outubro de 2025 e no Senado em 5 de novembro de 2025. Aguarda apenas a sanção presidencial e tem vigência prevista para 1º de janeiro de 2026.
Tributação de dividendos: IRRF mensal e IRPFM anual
Na prática, o PL 1087 institui em duas frentes complementares uma alíquota de 10% que recai sobre quem recebe dividendos relevantes ou tem renda total elevada:
Frente 1 — IRRF mensal de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil/mês. Quando uma pessoa jurídica paga, a uma mesma pessoa física residente no Brasil, mais de R$ 50 mil em dividendos no mesmo mês, a empresa retém 10% na fonte. Sem deduções. O cálculo é por mês, por beneficiário e por fonte pagadora. O valor retido é compensável no ajuste anual.
Frente 2 — IRPFM anual sobre renda total acima de R$ 600 mil/ano. A partir do ano-calendário 2026, pessoas físicas com soma de rendimentos anuais superior a R$ 600 mil ficam sujeitas ao Imposto de Renda Mínimo (IRPFM). Para a faixa entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão, a alíquota é progressiva, crescendo linearmente de 0% a 10%. Acima de R$ 1,2 milhão, fixa em 10%.
Os 10% mencionados em todos os debates públicos sobre o tema referem-se a esse mecanismo. Não são 15%, como circulou em alguma comunicação inicial, e o gatilho mensal foi fixado em R$ 50 mil — não em valores maiores como se chegou a especular. Para uma família empresária da Grande SP que distribui dividendos relevantes da operação para os sócios pessoa física, isso significa, na prática, uma redução líquida de cerca de 10% no fluxo de caixa familiar a partir de 2026.
Por que holding fica MAIS atrativa, não menos
Esta é a parte que costuma confundir empresários informados pela mídia tradicional. A leitura simplista é: "a holding perdeu vantagem fiscal, então não faz mais sentido". A leitura mais cuidadosa, baseada na arquitetura real da nova legislação, é diferente.
Uma holding patrimonial bem estruturada permite, entre outras coisas:
- Controlar o ritmo de distribuição de dividendos para a família — distribuindo abaixo de R$ 50 mil/mês quando faz sentido — sem perder o controle dos lucros gerados pela operação;
- Reter lucros na pessoa jurídica quando a renda anual da família já se aproxima do limite do IRPFM, evitando que o excedente seja tributado em 10% no ajuste anual;
- Centralizar a gestão de imóveis, participações em outras empresas e aplicações financeiras numa estrutura única, com governança definida e regras claras de sucessão;
- Permitir uso estratégico de Juros sobre Capital Próprio (JCP) entre empresas do mesmo grupo econômico — instrumento que segue válido após a Reforma do consumo;
- Funcionar como veículo organizado para sucessão de cotas (em vez de imóveis individuais), simplificando o inventário futuro.
Em outras palavras: a holding deixa de ser um atalho fiscal puro e passa a ser um instrumento de organização e governança patrimonial. O ganho fiscal residual ainda existe, mas o motor principal de valor mudou. E é exatamente nesse ponto que a Stella se posiciona — porque governança intergeracional é, há 35 anos, o que sabemos fazer melhor do que qualquer escritório regional concorrente.
Os 5 perfis que mais se beneficiam de estruturar agora
Em 35 anos atendendo famílias empresárias da Grande São Paulo, identificamos padrões claros de quem se beneficia mais da janela 2026. Cinco perfis se destacam:
1. Empresário com 1 CNPJ operacional + imóveis pessoais (Grande SP)
É o perfil mais comum nos meus atendimentos: empresário que tem uma empresa em funcionamento (comércio, serviços, indústria de pequeno porte) e, separadamente, imóveis em nome pessoal — talvez a casa, um apartamento alugado, um galpão. Para esse perfil, a integralização desses imóveis em holding patrimonial em 2026, antes da virada, evita que o ITBI eventual sobre a operação seja calculado a valor de mercado quando os municípios ajustarem suas bases. Importante: a integralização precisa observar o STF Tema 796 (RE 796.376) sobre a imunidade do ITBI — tema que aprofundaremos em artigo específico desta série.
2. Família com herdeiros já adultos
Quando os herdeiros têm idade e maturidade para participar da governança, a doação de cotas com reserva de usufruto em 2026, sob a alíquota de 4% fixa, evita que o mesmo movimento custe até 8% em 2027. Para um patrimônio de R$ 10 milhões, é a diferença que mostramos acima — cerca de R$ 134 mil que ficam em casa. Para um patrimônio de R$ 30 milhões, são R$ 935 mil. A doação com reserva de usufruto, quando bem estruturada, transfere a propriedade aos herdeiros sem que o doador perca o controle e o direito aos rendimentos durante a vida.
3. Profissional liberal patrimonializado
Médicos, dentistas, advogados, arquitetos e engenheiros que distribuem mais de R$ 50 mil/mês de dividendos da PJ ou cuja renda anual já supera R$ 600 mil entram, a partir de 2026, no radar do IRPFM. A organização patrimonial via holding permite calibrar a distribuição mensal e a retenção de lucros na PJ — preservando o controle do fluxo familiar. É um perfil especialmente comum em médicos com clínicas em São Paulo capital, advogados com escritórios em Barueri e Cotia, e dentistas com mais de uma unidade em Osasco e Guarulhos.
4. Empresário rural com terras na família
Holdings rurais mantêm vantagens específicas dentro da Lei do Agro e da estrutura tributária do produtor PJ. Para famílias com terras significativas, a estruturação em 2026 antecipa a transmissão das cotas (e não diretamente das terras) sob regra antiga, evitando o impacto da nova base de cálculo a valor de mercado. Vale para empresários da Grande SP que têm fazendas em outros estados ou no interior paulista — situação muito comum em famílias com origem rural que migraram para a capital.
5. Grupo econômico com 2+ CNPJs
Empresários com mais de uma empresa — operacional + imobiliária, ou holding industrial + holding de serviços — ganham com a estrutura societária via holding de participações. O JCP (Juros sobre Capital Próprio) intra-grupo, quando bem estruturado, segue sendo instrumento útil mesmo após a Reforma Tributária do consumo. Para grupos econômicos consolidados em Osasco, Barueri e Cotia, a holding de participações organiza a governança e permite compensação eficiente de resultados entre as empresas do grupo.
Para quem NÃO faz sentido estruturar agora
Existem três cenários em que não recomendo estruturar holding agora — mesmo com a janela do ITCMD se fechando. Não empurre com a barriga, mas também não estruture só pela urgência. O custo de uma holding mal feita ou feita no momento errado costuma ser maior que o ganho:
Risco: Patrimônio abaixo de R$ 1,5 milhão sem perspectiva clara de crescimento.
Solução: Aguardar e revisar a cada 2-3 anos. O ITCMD a 4% sobre R$ 1,5 milhão é de cerca de R$ 60 mil. O custo de constituir e manter uma holding (cartório, ITBI eventual, honorários jurídicos e contábeis, ECD/ECF anuais) costuma somar entre R$ 25 mil e R$ 40 mil no primeiro ano e R$ 8 mil a R$ 20 mil/ano em recorrentes. A conta não fecha — a menos que haja perspectiva clara de crescimento patrimonial nos próximos 5 a 10 anos.
Risco: Empresa com dívidas trabalhistas ou fiscais ativas.
Solução: Regularizar primeiro, estruturar depois. A jurisprudência do STJ é consolidada: holding patrimonial constituída quando a empresa operacional já tem dívidas em execução pode ser desconsiderada por fraude à execução. O caminho correto é primeiro regularizar o passivo (parcelamento, transação tributária, acordo trabalhista) e só então pensar em estruturar. Pular essa etapa é construir uma estrutura que pode ser desfeita pelo próprio Judiciário.
Risco: Famílias sem alinhamento mínimo entre os herdeiros.
Solução: Construir o protocolo familiar antes da estrutura societária. Holding amplifica conflitos quando montada antes do diálogo. Antes de discutir cotas, usufruto e governança, é preciso conversar — sobre quem participa da gestão, quem apenas recebe, quais as regras de saída, como se decide um voto. Sem esse trabalho prévio, a holding tende a postergar a discussão difícil para o pior momento possível: a transmissão real do patrimônio.
Riscos e armadilhas frequentes
Risco 1 — Análise sem fundamentação técnica: decisões patrimoniais tomadas com base em suposições genéricas ou indicações de terceiros. Solução: exigir laudo técnico, simulações comparativas e referências legais explícitas (LC 227/2026, Tema 796 do STF, PL 1087/2025).
Risco 2 — Estrutura sem governança formalizada: herdeiros sem regras claras de voto, distribuição e sucessão entram em conflito na primeira transmissão real. Solução: protocolo familiar escrito antes da estrutura societária, com regras de entrada/saída, distribuição de lucros e mecanismos de resolução de divergências.
Risco 3 — Cláusulas restritivas ausentes: doação sem inalienabilidade, incomunicabilidade e impenhorabilidade expõe o bem doado a divórcios, dívidas e sucessões cruzadas indesejadas. Solução: escritura com as 4 cláusulas principais + reversão para hipóteses de morte do donatário antes do doador.
Risco 4 — Estrutura congelada após abertura: mudanças tributárias relevantes (LC 227/2026, PL 1087/2025, Reforma Tributária 2026-2033) tornam configurações antigas subotimizadas. Solução: revisão anual com aditivos contratuais quando necessário.
SIMULAÇÃO ITCMD
Quer o cálculo do seu caso real?
Simulação ITCMD 4% fixo (2026) vs progressivo (2027+) com seu patrimônio.
Perguntas frequentes
Eu preciso abrir holding antes de janeiro de 2027?
Não obrigatoriamente. Mas se há intenção de doar cotas ou imóveis aos herdeiros, fazer a doação em 2026 sob a regra antiga (4% fixo) pode economizar significativamente em patrimônios acima de R$ 3 milhões. Para patrimônios menores, a urgência é organizacional, não tributária.
O ITCMD vai mesmo subir em São Paulo?
Sim. A LC 227/2026 (federal), em vigor desde 14 de janeiro de 2026, torna a progressividade obrigatória em todos os estados. SP ainda não publicou a lei estadual de adequação, mas é questão de meses — o PL 7/2024 já está em tramitação na ALESP. Quando publicada, valerá a partir de 1º de janeiro de 2027 por força da anterioridade anual.
Holding ainda vale a pena depois da Reforma?
Sim, mas por motivos diferentes. A vantagem fiscal pura sobre o ITCMD foi reduzida pela nova base de cálculo (PL ajustado a valor de mercado + goodwill). O valor da holding em 2026 está em governança intergeracional, profissionalização da gestão, controle do fluxo de dividendos e continuidade do negócio. Para famílias com mais de R$ 5 milhões de patrimônio e herdeiros adultos, segue sendo a estrutura mais robusta.
Quanto custa estruturar uma holding em 2026?
Depende do patrimônio e da complexidade. Para patrimônios de R$ 3 a R$ 10 milhões, o custo inicial costuma variar entre R$ 15.000 e R$ 40.000 (cartório, ITBI eventual sobre integralização de imóveis, honorários jurídicos e contábeis). Os custos recorrentes anuais (ECD, ECF, contabilidade especializada) ficam entre R$ 8.000 e R$ 20.000/ano, dependendo do volume de operações.
Posso ainda usar doação com reserva de usufruto?
Sim, mas a LC 227/2026 mudou a tributação. O ITCMD agora incide sobre o valor total do bem na doação — não fracionado entre nua-propriedade e usufruto, como era prática comum antes. Continua sendo estratégia válida de sucessão, mas o cálculo mudou e o benefício de fracionamento da base foi reduzido.
Resumo estratégico
- A LC 227/2026 está em vigor desde 14/01/2026 e tornou obrigatória a progressividade do ITCMD em todos os estados.
- Em SP, o PL 7/2024 propõe alíquotas de 2%/4%/6%/8% por faixa. A faixa de 8% só vale acima de R$ 9.900.800,01.
- Patrimônios até ~R$ 3 milhões podem até pagar um pouco menos com a progressividade. A urgência aqui é organizacional, não tributária.
- Patrimônios de R$ 10 milhões pagam ~33% a mais. Patrimônios de R$ 30 milhões pagam até 78% a mais — e até 5x se forem cotas com goodwill alto.
- O PL 1087/2025 (já aprovado) trouxe IRRF de 10% sobre dividendos >R$ 50k/mês e IRPFM anual sobre renda >R$ 600k/ano.
- A janela útil vai de maio a dezembro de 2026. Lei estadual SP, quando publicada, só produz efeitos em 01/01/2027.
- Holding em 2026 vale mais por governança e organização do que por economia fiscal pura.
Próximo passo: o Diagnóstico Intergeracional Stella
Para empresários da Grande São Paulo que se reconheceram em algum dos perfis acima, a Stella oferece o Diagnóstico Intergeracional — uma conversa estruturada de 60 minutos para mapear o cenário patrimonial atual, identificar a estrutura ideal e calcular o custo real de cada alternativa, com base no patrimônio específico de cada família.
O Diagnóstico não é uma reunião comercial. É uma sessão de trabalho técnica em que entregamos:
- Um mapa do patrimônio atual, separando bens pessoais, participações societárias e fluxos de dividendos;
- Um cálculo comparativo do ITCMD nos cenários atual (4% fixo) e progressivo (2-8%), aplicado ao patrimônio real da família;
- A recomendação técnica sobre estruturar ou não, com justificativa por escrito;
- Se aplicável, a proposta de estruturação com cronograma, custos e responsáveis.
PRÓXIMO PASSO
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Ao enviar seus dados, eles serão tratados para retorno do atendimento, nos termos da LGPD e da Política de Privacidade do site.
Leia também
- Holding Familiar — página de serviço Stella
- ITCMD Progressivo em SP: o passo a passo da mudança (em breve)
- Como estruturar uma holding familiar: o método dos 4 Pilares (em breve)
Referências legais
Lei Complementar nº 227/2026, publicada em 14/01/2026 (especialmente arts. 146 a 164, 154-II e 156-I) · Emenda Constitucional nº 132/2023 · Projeto de Lei nº 7/2024 (ALESP) · Projeto de Lei nº 1087/2025 (Câmara dos Deputados, aprovado em 01/10/2025; Senado, 05/11/2025) · Projeto de Lei Complementar nº 108/2024 (Câmara, aprovado em 16/12/2025) · Resolução do Senado Federal nº 9/1992 · Constituição Federal, art. 24, § 4º, e art. 150, III, "b" e "c".
Compromissos Stella
Natureza informativa: Este artigo tem finalidade educativa e não substitui consultoria contábil, tributária ou jurídica formal sobre o caso concreto da sua família. Cada cenário patrimonial exige avaliação individualizada.
LGPD: A Contabilidade Stella trata seus dados de contato em conformidade com a Lei nº 13.709/2018 (LGPD), exclusivamente para retorno sobre serviços solicitados. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.
Atualização: Acompanhamos diariamente as alterações na LC 227/2026, no PL 7/2024 (SP) e no PL 1087/2025. Este artigo será revisto sempre que houver mudança relevante.
Felipe Dutra Nicácio
CEO — Contabilidade Stella
CRC 1SP-123456
CONTABILIDADE STELLA — 35 ANOS ATRAVESSANDO GERAÇÕES
CONTABILIDADE STELLA
Contabilidade consultiva especializada em planejamento patrimonial e sucessório. Osasco/SP — atendendo São Paulo, Barueri, Cotia, Guarulhos e toda a Grande SP.
Felipe Dutra Nicácio
CEO — Contabilidade Stella
CEO da Contabilidade Stella, segunda geração após a fundadora Ângela Stella. Especialista em planejamento patrimonial e sucessório com mais de 35 anos de tradição da casa.
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